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Transplante
de cabelo
Quem primeiro realizou transplantes de cabelo foi o Dr. Okuda, no Japão, antes da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente com a ocorrência do conflito sua descoberta não chegou ao conhecimento do resto do mundo durante duas décadas. O Dr. Orentreich, nos Estados Unidos, publicou o primeiro relato sobre cirurgia de transplante em 1959, nascendo aí o campo da restauração capilar. Os candidatos à cirurgia são os indivíduos que têm suficiente quantidade de cabelos na área doadora da parte posterior e lateral para transplantá-los para a área calva. No passado muitos calvos foram considerados mal candidatos à restauração, mas técnicas modernas permitem atualmente que muitos deles se tornem candidatos à cirurgia. A cirurgia do transplante capilar melhorou muito nos últimos 10 anos. Os dias dos "tufos de cabelo de boneca" já se passaram e a era do enxerto fio a fio, dos micro e minienxertos e transplante folicular chegou. Com a arte na combinação de enxertos de vários tamanhos e com novos instrumentos o cirurgião capilar pode criar uma aparência natural que combine com as feições dos pacientes. Ao se fazer o transplante capilar, da área doadora se retira, sob anestesia local, uma faixa de couro cabeludo cuja largura e comprimento variam de acordo com as necessidades de cada paciente. Em média essa faixa tem 2 cm de largura por 20 cm de comprimento, totalizando 40 cm2. Como a média é de 100 fios por cm2 , teremos 4.000 fios para serem transplantados.
As bordas da área doadora são a seguir aproximadas e suturadas de modo que não aparecem falhas nos cabelos, a não ser uma fina e quase imperceptível cicatriz após algum tempo. Em seguida, e com auxílio de lentes e microscópios, os cabelos são separados em unidades foliculares, que são pequenos feixes em que os cabelos aparecem agrupados, contendo cada unidade de 1 até 4 fios de cabelo, pois essa é a maneira como os cabelos se apresentam no couro cabeludo ao se examinar o mesmo com mais atenção. Essas unidades foliculares apresentam além das raízes dos cabelos, glândulas sebáceas e finíssimos nervos e vasos sanguíneos e devem ser levadas intactas para a área receptora calva.
As unidades com um único fio são utilizadas na reconstrução da linha anterior, onde os fios são isolados e é a modo como os cabelos se apresentam nas pessoas não calvas. Essa disposição confere uma aparência natural e mais suave e embora não tenham grande densidade, eles fazem a transição para as regiões mais posteriores, onde o cabelo é mais denso. Em seguida as unidades de 2, 3 ou 4 fios são colocados atrás da linha frontal, provendo um aumento da densidade capilar.
Com o uso de microscópios e lentes de aumento pode-se obter duas unidades foliculares juntas, formando uma unidade de até 6 fios de cabelo, mantendo sua integridade e elas podem ser utilizadas no lugar das unidades de 4 fios, dando uma densidade muito maior e com a mesma naturalidade. Essa modificação de técnica tem sido utilizada com resultados superiores pela nossa equipe. Terminada a cirurgia, é feita uma revisão para se verificar o correto posicionamento dos enxertos, seguida de um curativo oclusivo com o uso de uma faixa elástica que protege e mantém os enxertos em sua posição. O curativo é retirado no dia seguinte e os cabelos já podem ser lavados. Embora haja variações de técnica entre os cirurgiões que se dedicam ao transplante capilar, a arte na combinação do uso dos enxertos e a experiência é que vão determinar o resultado melhor e mais natural. As reações à cirurgia do transplante são relativamente pequenas, consistindo de discreta dor e desconforto após a cirurgia, inchaço maior ou menor na testa de curta duração, formação de crostas sobre os enxertos, que caem após uma semana e amortecimento temporário na área doadora. Problemas como sangramento, infecção e cicatrização são raros. A moderna cirurgia de transplante tem resultados previsíveis e bastante satisfatórios para a maioria dos pacientes. A queda dos cabelos é um processo que dura muito tempo. A maioria desenvolve a calvície devido ao hormônio masculino até aproximadamente os 40-45 anos. Após essa idade, o envelhecimento deixa os cabelos mais finos em toda a cabeça. As técnicas modernas permitem o transplante de um maior número de enxertos, reduzindo o número de procedimentos necessários para se ter um bom resultado. Preparo antes da cirurgia O
microtransplante de cabelos, como qualquer outro procedimento cirúrgico,
requer uma consulta médica bem detalhada antes da cirurgia. Os problemas
de doenças atuais ou anteriores devem ser expostos e discutidos com
o médico. Este deve tomar conhecimento de reações alérgicas, ingestão
de suplementos vitamínicos e uso de qualquer tipo de medicamento, incluindo
minoxidil (Regaine) e finasteride (Propecia)
Para assegurar que a cirurgia e o pós-operatório não apresentem problemas, as seguintes regras devem ser observadas:
Complicações Complicações raramente ocorrem desde que o candidato esteja em boas condições de saúde e respeite as recomendações médicas. Entretanto, sempre há um certo risco. Cosméticas - Os resultados podem não ser aqueles previstos ou pretendidos pelo médico ou paciente. A melhor maneira para prevenir um mal resultado é selecionar um cirurgião que tenha habilidade e experiência e que entenda suas expectativas, antes de tomar a decisão. Procure um cirurgião da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que tenha experiência em microtransplante de cabelos. Dessa forma você terá a certeza de ter encontrado um profissional competente, de receber um atendimento correto, e de ter um bom resultado. É também muito importante seguir todas as recomendações dadas pelo cirurgião. Infecção / Perda de sangue - O microtransplante apresenta um risco mínimo de infecção, uma vez que o couro cabeludo é uma região que apresente abundante irrigação sanguínea o que dificulta a instalação de processos infecciosos. O uso de medicamentos vasoconstrictores associados ao anestésico local, diminui a possibilidade de hemorragias, de modo que o sangramento é pequeno. Perda da sensibilidade - Alguns pacientes apresentam uma diminuição da sensibilidade na área doadora, que geralmente é temporária e volta em alguns meses. Dor / Inchaço - Um inchaço na região da testa ocorre em alguns pacientes, desaparecendo depois de três dias. A fim de reduzir essa possibilidade é conveniente o uso de compressas geladas na região. A sensação de dor é discreta, podendo ser controlada com analgésicos comuns, e dura poucos dias. Perda de cabelos - Alguns folículos podem não sobreviver após o transplante. Isso geralmente ocorre em fumantes e pacientes que não seguiram as recomendações médicas. É preciso lembrar que, em alguns pacientes, enquanto crescem os novos cabelos transplantados, os cabelos normais, geneticamente mais fracos, continuam caindo. O paciente tem a impressão de que a cirurgia não deu o resultado esperado. Na realidade, não fazendo o transplante, após algum tempo a área calva seria muito maior. A grande maioria dos pacientes faz mais de uma cirurgia para restaurar a área calva. Cicatrizes - A cicatriz resultante na área doadora é mínima, sendo disfarçada pelos cabelos que caem sobre a mesma. A técnica antiga de retirada de cilindros de couro cabeludo, deve ser evitada, pois aumenta a quantidade de cicatriz e dificulta cirurgias posteriores, além de deixar falhas no local. Recuperação No local transplantado vão se formar pequenas crostas que caem espontaneamente após uma semana. Elas podem ser recobertas pelo cabelo já existente ou usando-se um boné. Os pontos são retirados entre 7 e 10 dias. O retorno ao trabalho pode ser feito após 24 ou 48 horas. Devem ser evitados os esforços físicos e atividades esportivas por um período de 15 dias. O cloro das piscinas pode danificar as raízes, antes que elas cicatrizem. O uso de bebidas alcoólicas deve ser evitado durante alguns dias , bem como o uso de cigarros por 10 dias No pós operatório o paciente deve usar analgésicos e antibióticos e lavar a cabeça suavemente, usando xampu neutro. O cabelo transplantado vai continuar crescendo, para sofrer uma queda após alguns dias. Os folículos permanecem vivos, em fase de repouso. Após três meses eles começam a crescer como antes, no início finos e um pouco mais claros. Com o tempo tornam-se mais espessos, passando a ter as características do cabelo normal, crescendo 1 cm por mês. Geralmente o resultado só vai aparecer decorridos de seis meses a um ano após a cirurgia. Tudo o que se podia fazer com o cabelo, pode ser feito novamente: cortar, tingir e ondular. O cabelo é o mesmo. Ele só mudou de posição. |